Alepe discute metas para reduzir mortes e lesões no trânsito em Pernambuco

Em 27/06/2018
-A A+

Em Pernambuco, os acidentes de trânsito foram responsáveis por quase 1900 mortes em 2016. São 20 óbitos a cada grupo de mil habitantes, 85% homens em idade produtiva, quase metade dos casos envolvendo motocicletas. Os dados apresentados em audiência da Comissão de Administração Pública nessa quarta, devem servir de base para a fixação das metas previstas no Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, Pnatrans, criado no último mês de janeiro por lei federal. O objetivo é reduzir à metade os índices de mortes por grupo de veículos e de mortes por grupo de habitantes no período de dez anos. A presidente do Conselho Estadual de Trânsito, Simiramis Queiroz, considera que isso só vai ser possível com participação social. “A gente precisa da conscientização e o apoio da população, em dizer o que ela anseia, cobrar isso e ela se autofiscalizar.”

Ela apresentou os resultados parciais de uma consulta pública disponível no site do Detran. Nas 4600 respostas até agora, os usuários reclamaram das condições das vias, calçadas e faixas de pedestres. Eles também elegeram o uso do celular e do álcool como os comportamentos de maior risco ao volante. Intensificar a fiscalização eletrônica e investir no transporte público estão entre as sugestões mais recorrentes.
Coordenador da Frente Parlamentar de Trânsito e Transporte, o deputado Eduíno Brito, do PP, defendeu leis mais rígidas para evitar mortes e acidentes.

Coordenador da Lei Seca em Pernambuco, o tenente-coronel Fábio Bagetti disse que as ocorrência reduziram desde que as operações começaram, há sete anos. Hoje são realizadas, em média, 200 ações por mês, com a abordagem diária de mil motoristas. “A gente vê realmente uma mudança de comportamento do condutor, mas é um trabalho que tem que ser contínuo. Se nós relaxarmos, o povo tem a percepção de que a operação está faltando nas ruas e o pessoal volta a fazer uso do álcool e dirigir.”

Presidente do Colegiado de Administração Pública, o deputado Lucas Ramos, do PSB, ressaltou que o problema é um dos mais graves da saúde pública e precisa ser tratado com seriedade. “Nós sabemos o quanto é oneroso, especialmente para a saúde pública do nosso estado, as vítimas que são vitimadas a partir de acidentes de trânsito e que isso tem sido realmente encarado pelo poder público como um dos mais sérios.”

Representantes das secretaria estaduais de Saúde e das Cidades, Ministério da Saúde e Polícia Rodoviária Federal também participaram do debate. Daniel Valença, da Associação Metropolitana de Ciclistas do Grande Recife, leu uma carta de protesto contra as mortes de usuários de bicicletas. As metas estaduais devem ser enviadas ao Conselho Nacional de Trânsito até primeiro de agosto. A conclusão dos trabalhos em Pernambuco depende da consolidação dos dados de 2017 e da consulta pública que ficará disponível no site do Detran até o próximo dia 15 de julho.